"Peguei na caneta e tentei pôr-me de novo a trabalhar; estava farto, até à raiz dos cabelos, de meditações sobre o passado, sobre o presente, sobre o mundo. Só pedia uma coisa: que me deixassem acabar o meu livro em paz. Mas, quando o meu olhar incidia sobre o caderno de folhas brancas, impressionou-me o seu aspecto e fiquei, de caneta no ar, a contemplar esse papel deslumbrante: como era rijo e vistoso, como estava presente! Não havia nada nele que não fosse presente. As letras, que eu acabava de lá traçar, ainda não tinham secado e já não me pertenciam."
Jean-Paul Sartre, in A Náusea.
Que saudades de ter tempo para voltar a ler. Já não ponho os pés numa biblioteca, para requisitar um livro, há muito tempo!
O tempo e a morte são, efectivamente, as nossas únicas certezas intocáveis.
