19.12.09

fazes parte de mim até ao fim

Nunca sentiste o medo a perfurar-te bem lá dentro? Sentir a raiz do mal a crescer-te por dentro? Ter vontade de arrancar o coração com as próprias mãos e depois atira-lo contra a parede e vê-lo a descer vagarosamente enquanto as lágrimas te escorrem ao longo do rosto? [Desculpa o pensamento mórbido.]
Quero seguir-te todo o caminho que percorreres, quero ouvir as tuas deixas, quero respirar o mesmo ar que tu. Aqui nos encontramos sem abrigo, sem som, com a chuva a testemunhar-nos. Estou aqui para te dizer que fazes parte de mim até ao fim. Fazes parte desde o início. Não, cala-te, nem abras a boca! Ainda tenho muito para te dizer e quando eu virar as costas para partir, falas. Não me interessa o sentido da vida quando tudo se vai num piscar de olhos que nem sequer é meu. Não, não estendas a tua mão para mim, não estou cá para isso. Quero estar contigo simplesmente por o querer, porque me sinto na necessidade de tal. Sei desde início que o meu corpo pertence ao teu, e saber que ambos já se fundiram preenche qualquer coisa cá dentro. Pertencemo-nos.
Nunca sentiste a vontade esvair-se por ela própria e tentar correr num sítio que nem sequer existe? Tudo imaginação. Nunca quiseste ter o poder de chegar as estrelas só para ti? Inocular só os pensamentos. Sapiência que vai sendo minha.
Tendo dito tudo isto vou-me embora, viro as costas e deixo-te engolir as tuas palavras que não chegarão até a mim. Fazes parte de mim até ao fim, incondicionalmente.

1 comentário:

  1. Os teus textos tão muito giros :)
    Gosto especialmente deste :)

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