5.11.13


Chance for me to escape from all I've known
Holding back the tears
'Cause nothing here has grown
I've wasted all my tears
And nothing had the chance to be good
...

24.9.13

the call of Cthulhu

"A coisa mais misericordiosa do mundo, acho eu, é a incapacidade da mente humana correlacionar tudo o que ela contém. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a mares tenebrosos de infinidade, e não estávamos destinados a chegar longe. As ciências, cada uma a puxar para o seu próprio lado, causaram-nos poucos danos até agora, mas algum dia a junção das peças do conhecimento disperso descortinará visões tão terríveis da realidade e da nossa pavorosa posição dentro dela que só nos restará enlouquecer com a revelação ou fugir da iluminação mortal para a paz e a segurança de uma nova idade das trevas."

H. P. Lovecraft, in "O chamado de Cthulhu"

17.9.13


Tal como todas as outras noites, entregava-se a esta, sem nada para oferecer. Era um homem de pouca sorte, mas astuto e impecável nas suas afirmações. Existia consoante o tempo, de acordo com as vozes na sua cabeça.  Ainda guardava com ele o livro que a mulher lhe deu no seu aniversário, há sete anos. Na verdade, nunca chegou a lê-lo; não teve a coragem  de o devorar, com medo de ver o rosto dela em cada página. Ela já ali não estava.
Esta noite já não queimou a vela, não fumou o seu cigarro e tão pouco se atirou às palavras, pois não queria entregar-se a nada. Apenas e só; estava dominado pela intempérie e pelos ecos surdos das suas ideias, voláteis e maciças vozinhas. Era o escritor que hoje não queria sê-lo e que simplesmente se limitou ali a existir, a dissecar o silêncio e a sua solidão. Não sobrava mais nada, não havia lugar para a razão ou para o medo. Do lado de lá da sua janela, a paisagem sobrevivia à custa de um roseiral bravo e de duas pequenas macieiras, tudo em sofrido contraste com o seu quarto bafiento, cujas paredes já não testemunhavam qualquer inquietude ou satisfatória alegria.
Deitou-se na cama, ainda com os lençóis por fazer, e apercebeu-se da dor absurda que esta realidade transporta. Nada que ele nunca tivesse pensado antes, apenas nunca o tinha levado para a cama. 

Imagem: O beijo, de Gustav Klimt

9.7.13

Capítulo primeiro: o castelo da miséria

"As árvores, sem serem cortadas, projectavam em todos os sentidos ramos gulosos. Os buxos, destinados a marcar o desenho das alamedas, tinham-se tornado arbustos, pois há muitos anos que não eram aparados. Sementes trazidas pelo vento tinham germinado ao acaso e desenvolviam-se com uma robustez vivaz, peculiar às ervas daninhas, no lugar que outrora tinham ocupado as belas flores e as plantas raras. As sarças, com os seus ramos espinhosos, cruzavam-se de um lado ao outro dos caminhos e prendiam-se ao vestuário daqueles que por ali passavam, como para os impedir de irem mais longe e afastá-los daquele mistério de tristeza e de desolação. A solidão não gosta de ser surpreendida e semeia à sua volta todo o género de obstáculos."


Théophile Gautier, in O Capitão Fracasse

24.1.13

“Death must be so beautiful. To lie in the soft brown earth, with the grasses waving above one's head, and listen to silence. To have no yesterday, and no tomorrow. To forget time, to forgive life, to be at peace"

The Canterville Ghost, by Oscar Wilde


4.1.13

tríplice questão

De onde viemos?
Que fizemos?
Para onde vamos?