4.12.10

a saudade

É mais certo do que pensar em vão. Os olhos cansados do que vêm já não se predispõem à fraternidade que a culpa oferece e, assim, as mãos não são lavadas. O rosto já só recebe a brisa fresca das manhãs de Janeiro e o bafo quente da saudade. Porque o corpo cede. O corpo sempre cede. E és a melancolia de todas as noites minhas, o respirar de uma nova hora, a contagem decrescente para o nada, para o vazio que se espalma nas folhas do meu chão. Queria tanto saber dizê-lo, se soubesse o que realmente cá se passa. Mas eu digo "cá se passa bem" porque sou imune ao medo e aos laços que outrora me fizeram.

dedicado: a quem se identificar com o texto

Sem comentários:

Enviar um comentário