30.8.10

A Obesidade Mental - Andrew Oitke

recebi este mail do Liberação dos Tormentos e gostei bastante da opinião do autor. vale a pena ler:

O prof.  Andrew Oitke publicou o seu polémico livro «Mental Obesity», que revolucionou os campos da educação, jornalismo e relações sociais em geral.
Nessa obra, o catedrático de Antropologia em Harvard introduziu o conceito em epígrafe para descrever o que considerava o pior problema da sociedade moderna.  «Há apenas algumas décadas, a Humanidade tomou consciência dos perigos do excesso de gordura física por uma alimentação desregrada.  Está na altura de se notar que os nossos abusos no campo da informação e conhecimento estão a criar problemas tão ou mais sérios que esses.»
Segundo o autor, «a nossa sociedade está mais atafulhada de preconceitos que de proteínas, mais intoxicada de lugares-comuns que de hidratos de carbono. As pessoas viciaram-se em estereótipos, juízos apressados, pensamentos tacanhos, condenações precipitadas.  Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada.  Os cozinheiros desta magna "fast food" intelectual são os jornalistas e comentadores, os editores da informação e filósofos, os romancistas e realizadores de cinema.  Os telejornais e telenovelas são os hamburgers do espírito, as revistas e romances são os donuts da imaginação.»  O problema central está na família e na escola.  «Qualquer pai responsável sabe que os seus filhos ficarão doentes se comerem apenas doces e chocolate.  Não se entende, então, como é que tantos educadores aceitam que a dieta mental das crianças seja composta por desenhos animados, videojogos e telenovelas.  Com uma «alimentação intelectual» tão carregada de adrenalina, romance, violência e emoção, é normal que esses jovens nunca consigam depois uma vida saudável e equilibrada.»
Um dos capítulos mais polémicos e contundentes da obra, intitulado "Os Abutres", afirma:  «O jornalista alimenta-se hoje quase exclusivamente de cadáveres de reputações, de detritos de escândalos, de restos mortais das realizações humanas.
A imprensa deixou há muito de informar, para apenas seduzir, agredir e manipular.» O texto descreve como os repórteres se desinteressam da realidade fervilhante, para se centrarem apenas no lado polémico e chocante.  «Só a parte morta e apodrecida da realidade é que chega aos jornais.»  Outros casos referidos criaram uma celeuma que perdura.  «O conhecimento das pessoas aumentou, mas é feito de banalidades.  Todos sabem que Kennedy foi assassinado, mas não sabem quem foi Kennedy.  Todos dizem que a Capela Sistina tem tecto, mas ninguém suspeita para que é que ela serve.  Todos acham que Saddam é mau e Mandella é bom, mas nem desconfiam porquê.  Todos conhecem que Pitágoras tem um teorema, mas ignoram o que é um cateto». As conclusões do tratado, já clássico, são arrasadoras.  «Não admira que, no meio da prosperidade e abundância, as grandes realizações do espírito humano estejam em decadência.  A família é contestada, a tradição esquecida, a religião abandonada, a cultura banalizou-se, o folclore entrou em queda, a arte é fútil, paradoxal ou doentia. Floresce a pornografia, o cabotinismo, a imitação, a sensaboria, o egoísmo. 
Não se trata de uma decadência, uma «idade das trevas» ou o fim da civilização, como tantos apregoam.  É só uma questão de obesidade.
O homem moderno está adiposo no raciocínio, gostos e sentimentos. O mundo não precisa de reformas, desenvolvimento, progressos.
Precisa sobretudo de dieta mental.»

1 comentário:

  1. este texto está excelente!

    vale mesmo a pena ler (não se assustem com o tamanho.. :P) e faz muito sentido!

    gostei imenso desta frase: "Todos têm opinião sobre tudo, mas não conhecem nada."

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