Enfiei a melancolia numa gaveta de ferro. Não sei onde a deixei. Sei que na altura me pedi para nunca mais me lembrar. Altero o meu espírito conforme o vazio insone e deixo crispar o sonho. Sou um rosto sereno à luz do dia, sou realidade perante um delírio, sou um corpo com a alma a crepitar de desassossego. Sei ver o cerne da loucura quando o controlo se me voa pelas mãos. Sou olhos que avistam fragmentos de memória através das paredes, através das portas que ninguém abre… a não ser eu. Sou fácil resignação com a vida, mas sou difícil consentimento do seu jogo.
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