27.12.09

Invasão

Sinto-me a embalar por mim própria num desaforo constante; agarro neste nosso olhar mútuo e ponho-lhe uma asa que não voa deste lugar. Faço por encaixar as palavras que deixo esvoaçar entre as mãos, o rosto desfigura e torno-me pedaço daquilo que sempre quis ser. Soa o som do tempo mesmo atrás da minha história e aquilo que guardo na memória jamais será rasgado em mil folhas de papel que vais deixando ficar pelo chão. Sinto a vontade a arder e o desejo a aliar-se. Pego na alma e meto-a no bolso de trás para não me esquecer e mais tarde saber que tenho de lhe pegar. O ritmo dispara, a mente deixa-se confundir com a simplicidade ocasional da vontade de querer, faz de mim pessoa perseverante. Deixo fluir as ideias e que estas se colem nas paredes, aninho o corpo que transborda de paixão. Vejo caminhar na minha direcção as intenções indecifráveis que não moram no meu “eu”. São-me alheios desejos vorazes; não me são nada. Eu cá só guardo o que nos pertence.

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