2.12.09

Causa e (d)efeito

Como as palavras se vão em leves espaços de segundo. Como que um ténue beijo tragado por lábios de alguém que nunca me quis bem. O relógio agita as horas e as horas comem o meu tempo, não é o meu tempo que estou a perder, é o tempo que me perde a mim. Encontro-me engolida num soberbo refúgio desconhecido ao qual chamo de lar. Estou envolvida em fumo, em tempo e em memórias que se me incutiram vorazmente através de um breve assobio gélido. As coisas perderam significado e passaram a ser simplesmente coisas. Estão expostas frivolamente sobre outras coisas. São consequências de actos. Eu cá sou realidade e (d)efeito. Reparo bem na sombra que se estende ao comprido e que se agarra aos meus pés. É também esta só mais uma coisa que me passa despercebida… até hoje. Estou calma, quieta e segura no meu lugar. Sou causa e (d)efeito. És causa e (d)efeito.
Apetece-me esmigalhar as palavras uma por uma. Anseio pela vez em que virás aqui à minha beira e me toques de mansinho na cara. Espero calmamente, enquanto o meu tempo é devorado por um ruído ensurdecedor.

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