30.11.09

Camaleão

Talvez ainda esteja antes de amanhecer, 
a dormir acordado
como quem esteja a dormir num dia mau,
e não queira que acabe ali.
Solto-me ao rigor de deixar-me improvisar,
no pior que aconteça.
Se deixasse ver um bocado mais de mim,
perderia o disfarce;
sou um gigante na sombra que colhi,
das formas e peles que encarno ao calhas;
vestido de gente, sou como faço crer: dissimulante.
Sou como um licor de sabor abandonado: mau de azedume
amansei o travo e a urgência de beber dos lábios
veneno
Sou um gigante na sombra que colhi
das formas e peles que encarno ao calhas
vestido de gente, sou como faço crer:
dissimulante.

25.11.09

...

Que los que matan se mueran de miedo
Que el fin del mundo te pille bailando

23.11.09

Somos Todos Uns Parvos


Por vezes, todos somos uns parvos. Ora porque é ridículo, ora porque é demasiadamente estúpido. Hoje disseram-me que devemos ser poupados em tudo incluindo naquilo que dizemos e naquilo que escrevemos. Um dia eu disse que as pessoas mudam, as coisas mudam, tudo muda. Mas também podemos encontrar o nosso lugar e por mais que nos custe, é desse lugar, o berço, que vimos esticando até hoje a nossa vida. O mundo é uma espécie de círculo que nunca termina e, tal como nós, por mais voltas que demos, vimos sempre parar ao mesmo lugar, posso até estar bem longe, mas será esse com certeza o meu lugar. Somos todos uns parvos porque pensamos que sabemos sobre a vida quando é esta que nos ensina a nós e nos dá as verdadeiras chapadas na cara, é esta que nos aponta o dedo quando agimos mal. As pessoas são ridículas, as pessoas têm a mania que são diferentes… mal sabem elas que somos todos do mesmo saco. Erramos e pedimos desculpa vezes sem conta.

14.11.09

Edgar Allan poe, O Pensador!

Há uns meses atrás li um livro de Edgar Allan Poe. A verdade é que todas as suas histórias bizarras retratam o medo, mas não o seu, o pesadelo mais comum dos mortais e a fatalidade da fúria:

Para se ser feliz até um certo ponto é preciso ter-se sofrido até esse mesmo ponto;

É de se apostar que toda  a ideia pública, toda a convenção aceite seja uma tolice, pois tornou-se conveniente à maioria;

A vida real do ser humano consiste em ser feliz, principalmente por estar sempre na esperança de sê-lo muito em breve;

Quando um louco parece completamente lúcido é o momento de lhe colocar a camisa de força;

Nenhum homem que tenha vivido conhece mais sobre a vida depois da morte que eu ou tu;

Toda a religião simplesmente desenvolveu-se com base no medo, ganância, imaginação e poesia;

Convencido eu mesmo, não procuro convencer os demais.

8.11.09

Ironia

- Foram-se embora. Embora numa caixa vazia, caixa essa que nem é minha. Levou todos os nós. Eu vi-os. Iam entrelaçados uns nos outros sem vontade, com os mindinhos dados e sorrisos colados, fixados nas nuvens… mas tu disseste que todos os nós estão na terra.
- E se eu te disser que também vou às nuvens de vez em quando?
- Foram-se embora. Embora num pedaço de conversa, conversa essa que nem foi minha. Levou todos os nós entrelaçados e remexidos e desgastados e mais que acabados.
- E o que mais ia nessa caixa?
- Nós, nós… e nós. Mais ninguém.