29.4.09

Exorcismo da Alma

Escrever não custa. Custa é entrar cá dentro e exorcizar os sentimentos. Custa explorar-me a alma, toda ela moldada de sarcasmo e também apologista do pecado. Arranhar o coração com as minhas próprias mãos; levar as mãos à cabeça e gritar; cuspir a doutrina e arrancar as tábuas do chão; elevar o corpo ao mais alto estado de loucura insana; fazer da insónia um simples gesto insondável; espremer o meu espírito até ao pó; arrancar as palavras e ornamenta-las com as terríveis vozearias do inferno; trepar paredes. Quanto a ti, insistes em caminhar a meu lado, sombra imunda, insistes em fazer da minha vida algo que está para além do normal, fazes-me fugir à regra. Ah fode-te, mas fode-te à grande!
Rasteja aí, vá! Quero ver-te a enfrenta-lo enquanto aponto com o dedo em sinal de imposição. Custa, custa mesmo sentir seja o que for. Lidar com o sentimento não é comigo. Essa arte não me foi incutida. Sou fraca e dura de roer. Sou miserável e camaleão. Sou a tua eterna incógnita.
Hoje sofro de falta de palavras, encontrei-as espalhadas pelo chão e nem por isso peguei nelas. Se lá estavam é porque lá queriam estar. Mantenho-as ali e é ali que vão ficar. Não lhes toco, não hoje.

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