19.1.16

o vendedor de ossos

A razão mostra-nos que a obra de Deus não existe. Porém, se existisse, Karenin e Deus seriam antípodas.
Não são mais do que léguas as ruas que atravessamos e teimamos em flutuar em sonhos e aspirações; o comando da vida está sempre ligado. Todos os dias, é este pisar na calçada que nos diz óDeus, tu sabes lá, óDeus vem cá baixo ler Tchekhov enquanto se ouvem os bichos nestas montanhas que estão geladas, pá. Como quando vamos a pôr os pés no mar, sem medo, quando não há separação entre Nós e o mundo, e a noção do tempo perde-se. Esquece. O tempo é invenção, não existe, assim como não existe a morte ou a separação.

Num lugar distante, perto de nenhures, sem tempo, habitavam noventa e três pessoas e um cão. Um desses habitantes era Raskol, o vendedor de ossos.