13.12.12

"Em Orleanda sentaram-se num banco não longe da igreja, olharam para o mar, e permaneceram em silêncio. Entre o nevoeiro matinal, mal se via Ialta, no cimo das montanhas estendiam-se nuvens brancas imóveis. As folhas não se mexiam nas árvores, os gafanhotos ziziavam, e o fastidioso e pungente som do mar, erguendo-se das profundezas, falava da paz, do sono eterno que nos espera. Assim parecia quando não havia Ialta ou Oreanda, assim soa, e soará assim tão indiferente e monotonamente quando deixarmos de existir. E nesta constância, nesta completa indiferença perante a vida e a morte de cada um de nós, esconde-se, talvez, a garantia da salvação eterna, do interminável movimento da vida na terra, do interminável progresso em direção à perfeição"

Anton Tchekhov in A Senhora do Cãozinho de Salão

já há muito tempo que não chorava com uma história