Meu Amor, antes de mais, quero dizer-te que detesto cartas de amor, que as acho simples e que me sinto ridícula a expor-me a sentimentalismos e muito menos pretendo fazer desta uma carta que marque a História. (Não, nada disso!) Mas sei dizer na tua cara, Bebé, que te amo. Amo, e amo muito. Perdoa-me, meu Amor, pela minha lamechice pegada e nojenta, mas a verdade é que conto as horas, os minutos e os segundos para ver o teu sorriso, para ver o brilhozinho dos teus olhos e seguir os teus gestos. Morro por saber que amanhã estarei contigo novamente. O nosso amor mexe-me com as entranhas, faz-me levitar até ao e Céu não querer descer à Terra; faz-me dar pulinhos de alegria; faz-me cantar aquelas músicas parvas que dantes não gostávamos: faz-me estalar a língua no céu-da-boca; o nosso amor causa-me, ainda, “incontinência verbal”. Sinto-me horrível por não saber o verdadeiro significado do amor e, no entanto, dizer que te amo, à boca cheia. Talvez não haja definição exactamente. Talvez o significado esteja nos gestos, gestos esses que o escondem. Por exemplo, quando te beijo e esse beijo sabe a algodão-doce; quando te abraço e esse abraço leva-me a fechar os olhos e a não querer largar-te nunca mais; quando, despidos, o mundo exterior não existe; quando te vais embora e eu já morro de saudades. Fazes-me falta porque fazes parte de mim, e cada bocadinho de mim é construído por aquilo que me faz falta, logo tu, meu amor, preenches uma grande parte do que eu sou. Se por acaso, um dia, souberes o verdadeiro significado de amar, então vem sussurrá-lo ao meu ouvido para ninguém ouvir. Prometo que o guardarei só para mim. Será o nosso segredo. Meu Bem, o mais estúpido de toda esta situação é que eu estou aqui a racionalizar sentimentos, a escrever loving words, sou humana pois! Fecho esta carta, escrevendo que o nosso amor é gigantesco e ilimitado, é a construção de um templo, é mar e areia, é céu e terra, é chocolate e avelã, é música e poesia, é noite e lua, é razão e viver, é saudade e vaidade. Tudo em nós se completa. Ora um pedacinho de ti, ora um pedacinho de mim e… voilá! Agora despeço-me levando os meus olhos ao relógio, contando as horas, os minutos e os segundos para te ver, meu amor.
“Todas as cartas de amor são ridículas; não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” – Fernando Pessoa
“Todas as cartas de amor são ridículas; não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.” – Fernando Pessoa