O que deixei para trás, no passado ficou. Prefiro que tudo continue assim, intocável, não partilhável e só meu.
Estou, neste momento, a observar a lenta morte do velho. Deixa escorregar muito demoradamente o seu corpo rijo no cadeirão, também já ele bastante velho. O pobre homem tem no seu colo um livro com as páginas tão gastas quanto a sua vida miserável. Observo a maneira como morre sozinho, como deixa tudo para trás, como finda a sua história repleta de coisas…sim, simplesmente coisas. Nada mais.
Morre de velho, cansado e inexoravelmente. Não deixa saudade. Pobre do homem, já nem alma tinha. Enfrentou tudo de modo refractário e agora desiste espontaneamente. Vejo como todo ele é tragado pela morte sem piedade e como uma vida acaba num só segundo. Creio que antes de tudo isto o velho recorreu à lembrança, unicamente à lembrança sem direito a música de fundo.
Ainda observo, sem medo e sem elocução, de olhos bem abertos.
Podes ir, seu velho. Não deixas saudade.
Estou, neste momento, a observar a lenta morte do velho. Deixa escorregar muito demoradamente o seu corpo rijo no cadeirão, também já ele bastante velho. O pobre homem tem no seu colo um livro com as páginas tão gastas quanto a sua vida miserável. Observo a maneira como morre sozinho, como deixa tudo para trás, como finda a sua história repleta de coisas…sim, simplesmente coisas. Nada mais.
Morre de velho, cansado e inexoravelmente. Não deixa saudade. Pobre do homem, já nem alma tinha. Enfrentou tudo de modo refractário e agora desiste espontaneamente. Vejo como todo ele é tragado pela morte sem piedade e como uma vida acaba num só segundo. Creio que antes de tudo isto o velho recorreu à lembrança, unicamente à lembrança sem direito a música de fundo.
Ainda observo, sem medo e sem elocução, de olhos bem abertos.
Podes ir, seu velho. Não deixas saudade.